Mais de 2 mil candidaturas a vereador e prefeito em RO foram financiadas com dinheiro roubado da ALE



Moisés e o caixa 2 da ALE: “Tanto eu quanto Haroldo fugíamos da nossa própria casa, porque muitas vezes era madrugada quando éramos procurados por credores e também deputados”


Impressiona
No fim da coluna o leitor de Painel Político vai ter a oportunidade de conhecer o que há de mais sórdido e cínico na vida pública. Detalhes de funcionamento de um esquema de caixa dois que desviou milhões de reais dos cofres públicos pela Assembleia Legislativa em um emaranhado de
corrupção que já fugia ao controle dos próprios administradores. Isso fica claro com a frase “tanto eu quanto Haroldo fugíamos da nossa própria casa, porque muitas vezes era madrugada quando éramos procurados por credores e também deputados”.
Alguns personagens
No depoimento de Moisés de Oliveira, irmão do ex-deputado e ex-presidente da Assembleia, Carlão de Oliveira, tio do recém-eleito deputado Jean de Oliveira, ele cita alguns nomes que não são muito conhecidos da população, como “Leomar”, empresário da construção civil que “venceu” a licitação para reformar a Assembleia Legislativa. Em 2007 Leomar Wentz foi nomeado para cargo em comissão na Assembleia lotado na Polícia Legislativa, como Assistente Técnico. Outro personagem citado é Laertes Ribeiro de Oliveira, que vem a ser primo de Moisés Oliveira. Respondem ao mesmo processo por crimes de peculato, formação de quadrilha ou bando, crimes da lei de licitações e falsificação de documento público, Alberto Merched de Oliveira, João Alves Xavier, Haroldo Augusto Filho, Laertes Ribeiro de Oliveira, José Ronaldo Palitot, Leomar Wentz, Moisés José Ribeiro de Oliveira e José Carlos de Oliveira (Carlão de Oliveira).
Período
Em seu depoimento, prestado no dia 22 de setembro último, Moisés se refere a locação de um prédio na Avenida Lauro Sodré onde funcionava a empresa Aquarius, que conforme seu depoimento, percebe-se que era a grande responsável pelo gerenciamento do caixa dois da Assembleia. O prédio era alugado e a proprietária, depois que a “casa caiu”, questionou a reforma feita antes do prédio ser devolvido. Ela sempre discordou, mas preferiu receber seu imóvel da forma como estava do que entrar em uma disputa sem grandes chances, na época, de ser bem sucedida.
Campanhas
Moisés revelou em seu depoimento que mais de dois mil candidatos receberam recursos do caixa dois para suas campanhas eleitorais, entre eles José de Abreu Bianco (candidato a prefeitura de Ji-Paraná em 2004), Mileni Mota (prefeitura de Rolim na mesma época), Euclides Maciel (desafeto de Bianco em Ji-Paraná eleito deputado estadual em 2006), Dinoráh, esposa de Haroldo Santos (então deputado estadual). Segundo Moisés, Bianco foi quem mais levou dinheiro do esquema para sua campanha. O médico Jorge Cury, de Guajará-Mirim que foi candidato a deputado federal em 2006 também recebeu recursos para sua campanha a deputado federal e pagaria prestando serviços na região do Vale do Guaporé.
O avião
O caixa dois da Assembleia era alimentado pelas empresas que prestavam serviço para o legislativo. Moisés deixa bem claro em seu depoimento que qualquer empresa que vencesse uma licitação na Assembleia, tinha que dar um percentual para o caixa dois. Eis que o deputado Neodi, recém-empossado na vaga de Paulo Moraes de quem era suplente, surge com a ideia de comprar um avião. Ele faz isso através de sua empresa com o compromisso de que a Assembleia locasse a aeronave. Assim foi feito. O avião foi comprado e as parcelas eram pagas com dinheiro roubado dos cofres públicos.
Os carros
A ideia de montar a Aquarius surgiu da grande necessidade que os parlamentares têm de locar veículos, sejam para assessores ou para suas amantes. Como chegavam altas faturas dessas locações, eles pensaram, “porque não montar uma empresa nós mesmos locamos os carros” e assim foi feito. Compraram a Aquarius de , Alberto Merched de Oliveira e passaram a prestar esse serviço. O dinheiro ficava no caixa dois, ao invés de entrar na contabilidade da empresa. E como se alugou carros nessa época. Também chegaram ao disparate de sortear um Corola zero quilometro entre os próprios deputados em uma festa de fim de ano.
Caim
Em seu depoimento à justiça, Moisés de Oliveira entrega seu irmão Carlão de Oliveira. Em determinado trecho ele revela, “foi o próprio Carlão quem nos deu a incumbência de criar um caixa dois e criar toda uma engenharia para a arrecadação de dinheiro e repasse aos deputados”.
Tem mais
Em toda essa história envolvendo os larápios do legislativo ainda faltam explicações sobre o milionário contrato de locação de computadores com a empresa Ajucel Informática, de Colorado do Oeste, a própria Fox Construções, que superfaturou as obras de reforma da Assembleia, empresas que prestaram serviços dos mais diversos, de publicidade a equipamentos, como ar-condicionado.  Todos esses detalhes ainda serão revelados pelos acusados, que aceitaram o benefício da delação premiada.
Correria
Desde que “Japa” depôs no Ministério Público Federal, teve início uma verdadeira maratona em escritórios de advocacia. E de advogados tentando saber sobre quem ele falou. Só que até agora ninguém teve coragem de ir ao MPF tentar descobrir.
Ponte
Passou da hora do DNIT limpar a beira do rio Madeira e iniciar as obras da ponte que liga Porto Velho a Humaitá. O movimento de famílias que discutem os valores pagos a título de indenização pelo DNIT é fomentado por pessoas ligadas a empresa Rodonave, responsável pela balsa que faz a travessia do Madeira. Para fazer umas contas rápidas, tenha em mente os seguintes números: um carro pequeno paga em torno de R$ 8 para atravessar, uma camionete cerca de R$ 18 e caminhões e ônibus R$ 40. Por dia, atravessa cerca de 400 veículos, quanto isso dá em dinheiro? Entende agora porque há tanta confusão quando o assunto é ponte sobre o Madeira?
Invasão
A população da cidade amazonense de Humaitá está revoltada com o ex-governador Ivo Cassol. A BR 319 foi construída seguindo o traçado do rio Madeira e em dois pontos ela entra em território rondoniense. São duas pequenas áreas, que talvez legalmente nem pertençam a Rondônia. Mas Ivo Cassol viu ali uma brecha e montou duas barreiras de fiscalização do IDARON. Isso impede o trânsito de amazonenses dentro de seu estado com mercadorias próprias. Ou seja, se o cidadão de Humaitá quiser levar um litro de leite para um parente que mora no quilômetro 80 da BR 319, terá que passar pela barreira do IDARON que fica no quilômetro 60 e não pode. Os fiscais apreendem qualquer produto de origem animal ou vegetal.
Isso
Vem criando um enorme mal estar entre os governos do Amazonas e Rondônia. Para os amazonenses, se Cassol quer fiscalizar o que entra em Rondônia, que fiscalize na Balsa e não no meio da rodovia cujos primeiros 18 quilômetros após a Balsa apenas pertencem a Rondônia. Para muitos isso foi uma “esperteza” do ex-governador. Para outros, um verdadeiro tiro no pé. De qualquer forma, a atitude do ex-governador é uma aberração sem tamanho.
Multados
Renato Antônio de Souza Lima, José Zilto e Sérgio Gondim Leite, todos ex-diretores do Departamento de Obras e Viação Pública (DEVOP) do Estado pelo Tribunal de Contas por graves irregularidades em suas respectivas gestões. Eles terão que pagar, além de multas individuais, R$ 562 mil atualizados e acrescidos juros e multas por terem pago ilegalmente um processo.
Violência
Sem comentários para a cena estúpida presenciada por centenas de pessoas no Porto Velho Shopping no último sábado, quando um ex-namorado desequilibrado atirou contra a ex e se matou. O próprio ato já é uma barbárie e o local escolhido, diante de crianças e famílias, é inexplicável.