Lívia Andrade: "Eu vim nessa vida para me divertir e ser feliz"



Lívia Andrade Capa (Foto:  )
Lívia Andrade Abre (Foto:  )
Lívia Andrade chega animada ao estúdio fotográfico em São Paulo para sua capa de QUEM. A apresentadora nem reclama do trânsito carregado daquela quarta-feira chuvosa vindo direto dos estúdios do SBT, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, onde apresenta de segunda a sexta-feira o programa vespertino Fofocalizando, cumprimenta a todos e segue empolgada para olhar a arara de roupas organizada pelos stylists Maurício Mariano e Alessandro Lázaro.
Enquanto vê os looks, Lívia conta que dois pares de bota de seu acervo pessoal em breve chegarão ao local onde serão feitas as fotos. "Tinha separado direitinho, mas esqueci de colocar no carro. Vão mandá-los pra cá e já, já chegam", diz, monitorando o aplicativo de transportes, e emenda outro assunto: a unha do dedão do pé que descolara na noite anterior ao descer da moto que dirigia. Nem o machucado é motivo para tempo ruim. Ao vestir o primeiro look e receber elogios da equipe, a apresentadora diz, aos risos: "Se não for para lacrar, eu nem saio de casa".
Depois de posar com seis produções diferentes, ela encara a brincadeira de se molhar para fazer fotos no estilo Cantando na Chuva (1952). "Sou temática. Neste ano, a Império falará sobre cinema e fui para o Sambódromo com figurinos inspirados em filmes nos ensaios técnicos", diz ela, que também se inspirou nos filmes Cleópatra (1963) e Cabaret (1972) durante os treinos para o desfile.Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)



































São mais de 20 anos de Carnaval em São Paulo. Depois de nove anos afastada da Sapucaí, você estreia como musa da Paraíso do Tuiuti. Como estão os preparativos?
Sempre foi muito corrido, ia deixando tudo para a última hora. Este ano, fiz a loucura de aceitar isso em dobro. Sempre é complicado, mas vale a pena. É tão emocionante. É mágico o momento do desfile. Quis aceitar esse convite do Rio porque estou em um momento tão especial na minha vida. Acho que estou mais segura, mais preparada, mais madura. Isso faz com que eu aproveite mais e não seja tão estressante. O Carnaval tem a parte glamourosa e de diversão, mas tem um peso muito grande, muito perrengue. Quando a data do desfile se aproxima, todo mundo fica mais tenso. Você acaba convivendo com uma tensão muito grande. Se você pegar essa ‘pilha’, você não curte e o que eu sempre gostei de fazer foi curtir o Carnaval.
Existe expectativa para te ver em dose dupla nos desfiles deste ano.
Este ano terá um pouco mais de glamour. Foi tudo mais abraçado por uma equipe bacana. Sempre tive muito problema com a necessidade de ter controle e não confiar.
Dificuldade de confiar nas pessoas?
Já tive tanto problema na vida que acabei criando essa resistência, essa casca, essa proteção... Mas vi que não dá para fazer tudo sozinha. Neste ano, decidi que deixaria outras pessoas dirigirem e iria de passageiro. Estou de passageira, sentada na janelinha, vendo a paisagem.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Passou se cuidar mais?
Eu nunca liguei. Acho que a gente tem que ter prioridade na vida. E a minha prioridade nunca foi a beleza ou a boa forma. A minha prioridade era ter estabilidade, segurança e o controle da minha vida. Para ter o controle e a autonomia da minha vida, precisei trabalhar muito. Nem sempre com coisas que achava legal. Não trabalhava com glamour. Eu precisava ganhar dinheiro. Era uma acumuladora. Ia pegando tudo quanto era trabalho, não descansava, não tinha tempo para absolutamente nada... Nem para me olhar no espelho e falar: “Meu, espera aí, vamos melhorar essa imagem? Vamos tomar mais cuidado que você trabalha na televisão, pô”.
Diferentemente de muita gente que desfila, você começou no Carnaval antes de estrear na TV. Quando passou a se preocupar com as questões estéticas?
O Carnaval está na minha vida desde criança. Nunca foi um lugar que eu teria que estar porque estou na mídia ou porque traz a mídia. Desfilo desde os 10 anos. Já são 25 anos de Carnaval. E era dane-se o corpo, se estava gorda ou magra, com celulite ou não... Para mim, isso nunca importou. E o que importa? Estar lá na bateria, desfilar na escola que eu quero e me divertir. Comecei a trabalhar muito cedo e nunca tive uma direção, um planejamento, nem pessoas que trabalhassem a minha imagem. Ia ganhando o meu dinheiro, mas tinha uma meta: quando eu completasse 30 anos, começaria a me preocupar com meu corpo, com a estética e assim foi. Aos 30, já tinha uma estabilidade.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Estabilidade financeira?
Sim. Sabia que se tudo desse errado, eu não iria morar na rua. Sempre foi minha prioridade. Depois de conquistar essa estabilidade, aí veio a minha preocupação com corpo, imagem. Vamos melhorar o que pode melhorar. Acho que estou em um momento bacana de vida, de trabalho e, quando você está feliz, você fica mais segura e isso reflete na sua imagem. A beleza também vem de dentro.
No nosso ensaio, ficou claro que você é uma estrela, mas passa longe do estrelismo. Você se joga, topa brincadeiras... Já precisou se policiar para não se sentir em cima do salto?
Não, mas já pensei muito sobre isso. Não me afasto das minhas origens. Faço questão de manter amigos e de frequentar os mesmos lugares, passar na rua onde morei, o bairro, a escola de samba mantém essa minha raiz. É na escola de samba que encontro pessoas com quem estudei, vizinhos... Sei da onde eu vim e sei o quanto foi difícil chegar onde cheguei. Ninguém é estrela, ninguém é 100% maravilhosa. Nestas fotos, por exemplo, acho que fiquei maravilhosa, mas isso não quer dizer que eu seja maravilhosa. Sou comum como todo mundo. A gente pode estar bonita, ficar simpática, estar famosa e depois tudo acabar. E aí? Quem você é quando tudo acabar? Quando você volta para casa e joga o sapato, larga a bolsinha que custou caro, quem é você? Quem você é quando está nua na frente do espelho? Cadê o glamour? Cadê as amizades? Se é que elas são verdadeiras... Sempre busquei me olhar no espelho e saber quem eu sou. Eu não vou mudar. Mesmo que as pessoas tentem.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Lívia Andrade Aspas (Foto:  )
Existiu isso de quererem te mudar?
No trabalho e na minha própria família. As pessoas ficam cobrando uma certa postura, mas não quero me deixar influenciar por isso. Quero ser o que eu sou. Talvez, por isso, eu cheguei onde cheguei. Essa coisinha da malandragem, a maloqueira continua aqui, mas sei me comportar em todo e qualquer lugar. Acho isso muito importante.
Saber trafegar por diferentes classes, diferentes meios te ajudou?
A vida é assim. Pelo menos, a minha. Acho que a de todo mundo porque ninguém vive em uma bolha. Você pode até criar uma bolha, mas você sai dela o tempo todo. Procuro ter muito pé no chão, não me deslumbrar, não viajar na maionese, não subir no salto... Quando estou na frente da bateria ou em um programa de TV, eu puxo a minha raiz. A roupa ali pode até dar um ar superior porque é um look caro, um sapato caro. Você acaba ficando com uma postura mais classuda, mais fina, mas isso eu não sou. Nunca quis ser. Sou maloqueira, sim. Conquistei meu espaço assim e assim vou permanecer.
O meio artístico facilita o deslumbre. Da mesma forma que há elogios, há haters. Como lida com isso?
Comecei muito cedo, aos 13 anos, no Fantasia. Um pouco antes, trabalhei como modelo, mas não curti o meio da moda. Achei muito esnobe para mim. Não gostei daquilo e a televisão entrou na minha vida. Gostava pela grana, não por estar na televisão. Onde eu morava e onde eu estudava, estar na TV era motivo para ser zoada. Desde cedo, vi que nem sempre vão te curtir. Passava por bullying o tempo inteiro.
Lívia Andrade Aspas (Foto:  )
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Por aparecer na TV fazendo aquelas dancinhas do Fantasia?
Éééé! Eu era muito zoada, muito. Tudo o que eu passei na minha vida me fez aprender, ganhei segurança. O artista tem que aprender a ser artista. Quando o artista explode e bomba muito rapidamente, geralmente ele passa por vários problemas e complicações. Até entendo pessoas que acabam fazendo alguma besteira. É aceitável, não é fácil ser artista. É preciso aprender a ser artista porque você convive o tempo todo com pessoas te apontando, te olhando, buscando pelo em ovo. Se não tiver problema, criam um. Se não tiver defeito, vão encontrar. Se você não for segura, você terá problemas sérios, vai sofrer... E eu não vim nessa vida para sofrer. Eu vim para me divertir, trabalhar e ser feliz. Não admito que nada tire a minha paz. É por isso que eu falo alto, que, às vezes, minha veia na testa salta, meu peito fica vermelho... Se eu tiver que falar mais alto, eu falo. Se eu tiver que descer do salto, eu desço. Quando eu chego em casa e tiro a fantasia, eu estou bem, em paz, feliz. É preciso ser forte. O meio artístico não tem espaço para pessoas fracas, infelizmente. Acredito que, por isso, muitos artistas sofrem de depressão, interrompem a carreira, se envolvem com vícios... É um meio muito difícil, com cobranças dentro da sua própria família.
Como assim?
Em casa, você é cobrado de uma maneira diferente. Você passa a ser artista para a sua própria família. E quando você está com a sua família, você não quer falar da televisão, você não quer comentar do que aconteceu nos bastidores ou do que disse no ar. Você quer falar com as pessoas normalmente. O que me faz manter com os pés no chão é cultivar as minhas raízes, a minha essência.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Lívia Andrade Aspas (Foto:  )
Muitas vezes, você passa a imagem de “respondona”, de quem não leva desaforo para casa. Em algum momento, você já se arrependeu de ter engolido, de não falar o que queria?
Eu sempre falo! Não levo desaforo para casa. Posso até me arrepender, mas prefiro me arrepender por ter falado. Se eu errei, depois chamo para conversar, tento resolver, mas eu prefiro agir, responder... Essa coisa de “deixa pra lá” não é comigo. Acho que quando você deixa um probleminha ou um mal-entendido pra lá, isso cresce e pode virar um problemão.
E o Carnaval também é um meio que tem esse ti-ti-ti. Como você encara as picuinhas que acontecem nos bastidores?
Carnaval é uma competição e a tensão circula entre as pessoas. Por mais que sejam até da mesma escola, às vezes rola uma disputa. Vaidade, ciúme... Quando chega mais perto do Carnaval, as pessoas vão ficando com os nervos à flor da pele e tudo pode acontecer. Uma palavra ou um tom de voz pode gerar um conflito. Sempre tive a personalidade muito forte e a galera de escola de samba também é babado, mas a gente se entende. Sempre falei de igual para igual, ainda mais por não ter intermediários. Quando você tem assessor, empresário, várias pessoas para te acompanhar, o problema não chega em você. Você está sempre linda e maravilhosa. Bota a fantasia, vai sambar, tira a foto, beijo e tchau. Eu não sou assim. Sempre lidei com tudo, a parte boa e a ruim. E prefiro assim, é mais intenso. Gosto de saber o que acontece na escola de samba. Já falei alto, já briguei, já bati de frente. Quando não estou satisfeita, prefiro sair [da escola]. Já briguei muito e não vale a pena. É perigoso. Já me arrisquei demais, mas não me arrependo.
Lívia Andrade Aspas (Foto:  )
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Como madrinha de bateria, sempre rola grande expectativa para a fantasia. Você sempre falou que, mais importante que o look, era representar bem o coração da escola.
Já queria fazer uma fantasia legal, mas sempre fui deixando pra lá. Peguei essa responsabilidade depois que a Patricia Abravanel, em um Jogo dos Pontinhos [quadro do Programa Silvio Santos], chamou a minha atenção. Ela disse que gostaria de me ver bonitona no Carnaval e falou: “Pô, Lívia. A Globo tem a Juliana Paes, a Record tem a Sabrina Sato... A gente quer a Lívia Andrade, do SBT, representando a gente. Vá bem bonitona”. Não era de planejar. Era assim: tem ensaio hoje à noite? Levantava, fazia um rabo de cavalo, passava batom, blush, rouge (risos)... Pegava um shortinho do armário e vamos lá. Nessa hora, tenho que me lembrar que, além de gostar de Carnaval, sou artista. É aí que eu me perco. A Lívia Andrade do samba e a Lívia Andrade da televisão. Todo mundo que vai pro ensaio bota um shortinho, uma sandália e está pronto. Mas os artistas elevaram o Carnaval. Os ensaios já são um espetáculo. Quando a Patricia me falou aquilo, parei para pensar. E aguarde, Patricia! Vou dar o nome neste ano (risos). Quero ver se ela vai gostar.
E a sua fantasia em São Paulo será da Mychelle X, que já assinou fantasias de Susana Vieira, Fernanda Lima...
Ivete Sangalo, muita gente.... Eu babo nos figurinos dela. A Mychelle sempre foi meu sonho, mas era inacessível.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Em que sentido? Financeiramente?
Em todos os sentidos! Ela trabalha com grandes personalidades e grandes artistas, ela é uma estrela no meio dela. Ah, e financeiramente também. Para mim, era inacessível. Neste ano, achei que eu poderia chegar nela, conversar... Confio 100% no trabalho dela, não estou preocupada. Este é o único ano em que não estou preocupada com o resultado. Deixei na mão dela e o que ela criar será muito bem-vindo.
Já dá para adiantar alguma pista das fantasias?
Não vai ter pena, não sou fã de usar pena. É o animal, custa caro.... Cada faisão é um carro na Avenida. A noção do dinheiro eu sempre tive. Sempre saiu do meu bolso, nunca ninguém me bancou no Carnaval. Nenhum cara, nenhum homem. Carregar o valor de um carro no costeiro e depois descartar? Não. Prefiro comprar um carro na vida real. Neste ano, posso brincar um pouquinho mais porque a minha situação melhorou um pouco. A Mychelle X será muito importante neste Carnaval para mim. Não vai ter penas, talvez nem pedras... A cor será clara no desfile de São Paulo.
Lívia Andrade Aspas (Foto:  )
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
E no Rio? Como veio a chance de voltar a desfilar?
A escola tem o enredo O Salvador da Pátria, sobre a história de um bode. Tenho uma história com bode e achei que tivessem me chamado por isso, mas a presidente só soube depois.
Qual é a sua história com o bode, afinal?
Tenho um bode de estimação. A ideia de ter um surgiu quando eu estava em uma praia de Natal com uma amiga. Vi um bode indo e vindo com um sino no pescoço. Falei para minha amiga: “Quando eu chegar em São Paulo, vou comprar um bode”.
E como é ter um bode em São Paulo?
Amo. Acho incrível, sempre gostei. Cuido dele como cachorro. Ele passeia, anda de carro. Agora não anda mais porque cresceu e tem um chifre enorme. É uma criação como a de outro animal de estimação. Lá em casa, é tudo junto: gato, cachorro, bode, coruja... Todos soltos. Se quiser, pode ir embora. Já tive coruja que deu tchau e foi ser feliz. Depois, apareceu na janela com o namorado.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Você tem um jeito muito prático, desprendido. Vira e mexe, te perguntam sobre a maternidade. Tem vontade de ser mãe?
Não penso nisso agora. No momento, não. Me perguntaram se meu marido não cobra e eu disse que, no começo da relação, ele falava muito. Começo da relação é um saco, né? A gente quer ter filho, casar, morar numa cabana, mas tudo muda, né? No começo, é toda aquela paixão, coisa boba, mas depois vem toda a responsabilidade de um relacionamento. Sempre contei comigo mesma, mesmo estando casada, tendo uma companhia. Não gosto de pensar que tenho que depender de alguém. Isso é um problema na minha vida. Para ter um filho, fico pensando no meu momento e não no nosso momento. Sou bem egoísta! A criança vai nascer da minha barriga, eu vou ter que amamentar.... Acho que esse mundo está ficando muito pior que eu imaginava para querer ter filho. Vou realmente ter que parar para pensar se vou querer ter ou não.
E quais seus principais sonhos para um futuro próximo?
Isso é um outro problema. Talvez se tivesse uma psicóloga conseguiria trabalhar bem este assunto. Precisava ter uma terapeuta (risos). Até esqueci do que a gente estava falando.
Dos seus sonhos.
Eu não sonho, eu não sonho. E acho ruim isso. Quando eu era bem mais nova, eu sonhava. Deixei de sonhar e acho isso perigoso.
O que sonhava, você alcançou?
Acho que sim. E acho perigoso quando você deixa de sonhar. Já não faço planos, sou meio “deixo a vida me levar”, mas acho que a gente precisa sonhar para poder ter força de vontade para levantar e lutar por aquilo que quer. Deixo muito na mão de Deus. Quero continuar deixando nas mãos de Deus, mas quero sonhar um pouco mais. Só que não estou conseguindo. Não sei o que sonhar. Sonhar é diferente de querer porque você quer hoje uma coisa e amanhã já não quer mais.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Você falou em Deus. E se considera uma pessoa de fé?
Muita. A minha carreira, talvez, poderia estar diferente se eu tivesse menos fé, se eu me preocupasse menos com a minha vida espiritual. Eu me preocupo muito com questões espirituais. Meu lado espiritual é uma prioridade, minha carreira não é uma prioridade. Tenho um motivo para estar aqui. Se eu sonhar, tiver uma intuição, se alguém na rua me abordar e falar alguma coisa e fizer sentido, eu mudo a minha vida. Se a minha vida fosse menos lúdica, menos espiritual e mais física, talvez eu tivesse mais sucesso, fosse mais bem-sucedida. Mas sou feliz assim. Posso dar um exemplo meio ridículo?
Claro!
Este último ano foi muito difícil para eu ir à academia. Peguei um bode de academia... Tentava voltar, mas só o cheiro da borracha do aparelho da academia me dava enjoo e eu ia embora. Só gosto de fazer o que eu tenho vontade. Se eu não tenho vontade, eu não faço. Então, posso dizer que fui turista na academia neste último ano. E tive um sonho há uns dois meses em que a pessoa me falava o que eu tinha fazer na academia – o tipo de exercício e quantas vezes por semana – e estou seguindo e adorando. Está funcionando. Tudo isso para dar uma ideia de como esses sinais lúdicos mexem comigo. Uma vez, um mendigo me ajudou a saber o que eu queria fazer. Tive uma proposta – e, às vezes, por não ter ninguém gerenciando a minha carreira e pensando por mim, posso ficar meio indecisa, sou geminiana – e fiquei na espera de um sinal para definir o passo profissional. Eu vivo de sinais, eu preciso de sinais! Acho que Deus conversa com a gente por meio de sinais. Estava em um momento de difícil decisão – onde ir, onde ficar – e um mendigo me abordou: “Gosto muito de você no SBT. Você não pode sair de lá”. E foi aí que eu decidi que permaneceria. Foi uma decisão bem acertada. Tudo é difícil e demora muito para acontecer na minha vida, mas tive boas surpresas. Quando você não espera nada na vida, tudo o que aparece é lucro. E eu gosto de viver assim, com boas surpresas.
Lívia Andrade Aspas (Foto:  )
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Desse jeito, evita frustrações?
Quando você quer muito uma coisa e não consegue, há a frustração. A vida já é difícil, cheia de problema. Não gosto de me frustrar, de me entristecer, de me decepcionar com pessoas. Prefiro ter boas surpresas. O Fofocalizando é uma grata surpresa. Estar ao vivo é muito especial, entrar na casa das pessoas todos os dias e sei que é uma oportunidade cada vez mais difícil. Eu me sinto uma privilegiada por estar na televisão.
Você credita ao Silvio Santos este espaço que conquistou na TV?
Sim. O Silvio é uma pessoa muito especial na minha vida. Ele consegue enxergar as pessoas como ninguém. Ele tem um olho de raio-X, sabe se você está mentindo, consegue te enxergar. Como ele também veio de baixo e lutou muito para construir tudo o que tem, ele valoriza isso nas pessoas. Sofri zilhares de preconceitos e um deles é o de ter vindo debaixo e alcançado um lugar, mas quem já está lá em cima não aceita muito você ali. Muita gente já nasce em cima, eu não. Tive que chegar ali.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
A impressão que passa é a de que quebrou preconceitos.
O meu público é o povo. A gente fala a mesma língua. Entendo o que a pessoa fala, entendo a gíria, o porquê da pessoa ser daquele jeito. Quem nasceu na classe social privilegiada, nem sempre consegue entender. Não é preconceito, nem discriminação. É simplesmente porque não fala a mesma língua. Consigo ter esse acesso, gosto de transitar. Eu me sinto do povo. Alcançar o equilíbrio para nos comunicar com as mais diferentes pessoas é difícil. Acho que estou no caminho para isso. Agora, ninguém vai poder me falar: ‘Ela está aí porque eu coloquei, porque eu banquei’. Comigo não. Eu posso errar e arcar com as consequências, assim como acertar e desfrutar o lado bom disso.
Você falou em acertos e erros. Como gosta de aproveitar?
Amo viajar. Quando você viaja e sai pro mundo, você aprende muito. Quis ter estabilidade primeiro, depois viajei. Nunca me arrisquei, sempre fui muito controlada em tudo.
E arrependimentos?
Nenhum. Até coisa ruim acho acrescenta na vida, acho que sempre dá para aprender.
Lívia Andrade (Foto: Angelo Pastorello/ Ed. Globo)
Créditos:
Beleza: Edu Sacchiero
Styling: Maurício Mariano + Alessandro Lázaro (Abá Mgt)
LOOK BRANCO:
Peruca de strass Walerio Araújo; body Minha Avó Tinha; calcinha de biquíni Suntime; botas Victor Vicenzza
LOOK CAPA
Headpiece Graciella Starling; body Minha Avó Tinha; open boot Passarela
LOOK PRETO
Headpiece Graciella Starling; body Minha Avó Tinha; top Morena Rosa
LOOK AZUL E ROSA
Capa Plástico Bolha Store; body Minha Avó Tinha; botas Victor Vicenzza
LOOK PRATA
Coroa Graciella Starling