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25/06/2019

“Essa onda de bala e arma é para desviar a atenção do povo”, dispara Confúcio Moura

O programa Como Vai Rondônia ?, veiculado na internet pelo portal ORondoniense, entrevistou o senador Confúcio Moura, 71 anos, um dos 47 senadores que votaram para sustar o decreto do presidente Jair Bolsonaro, que permite o porte de arma aos brasileiros. Atacado nas redes sociais, o senador disse que em sua campanha e durante toda sua vida pública nunca fez a defesa do armamento para pessoas comuns, e acredita que essa “onda de bala, de arma, é para desviar a atenção do povo”. Sua decisão, reforçou, é uma decisão “de consciência própria” e que em sua opinião não é disso que o Brasil precisa.
“O Brasil precisa é de uma proposta de crescimento econômico. Vergonhosamente caminhamos para perder mais uma década”, disse Moura. O senador falou por cerca de 50 minutos ao programa. Manifestou-se favorável à federalização da educação básica, defendeu a entrada de estados e municípios na reforma da previdência e disse que 53% da população acredita no ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública). “Ele dá lastro para o governo Jair Bolsonaro”.  
Confúcio Moura teve três mandatos de deputado federal, foi duas vezes prefeito de Ariquemes e se elegeu duas vezes governador de Rondônia. Em razão da longa entrevista, vamos dividi-la, levando aos internautas esta primeira parte, acompanhada de vídeos:
Como Vai Rondônia ? – Como vai Senador Confúcio Moura?
Confúcio Moura – É uma satisfação ser entrevistado por você Mara, a conheço de longa data, e é uma alegria passar para a população de Rondônia nosso ponto de vista, falar desse início de mandato em Brasília, e embora tenha feito muita coisa já, la no Senado sou um novato também igual a outros.
Como vai Rondônia? –  O Senado é o céu, como dizia o ex-senador e antropólogo Darci Ribeiro?
Confúcio Moura –  Eu não sei se é o céu ou inferno, ou se é o purgatório.  É o local onde teoricamente tem de haver pessoas mais experientes. Mas teve uma grande renovação agora no Senado, 85% são novos senadores, ainda com alguns que são novos velhos, como eu, o Jarbas (refere-se a Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco), uns outros tantos que estão lá com a gente com 80, 71 anos. E  tem uma meninada  aí de primeiro mandato, que não foi nem mesmo vereador, mas que ganhou nessa onda revolucionária das eleições  passadas. E  analisando de perto, ali no convívio, eles são moços e senhoras de muito bom senso, e o que não sabem também estão aprendendo.
Como Vai Rondônia? – Essa semana tivemos uma decisão no Senado sobre ampliar ou não o acesso de armas, e mais de 40 senadores decidiram sustar o decreto do presidente Bolsonaro  que trata do porte de arma, e a sua posição também se uniu a esses senadores. Isso parece ter contrariado algumas pessoas, falo especificamente das redes sociais. O que o senhor diz sobre a sua decisão?
Confúcio Moura – A minha decisão foi de uma consciência própria, nunca prometi na minha vida votar a favor de armas, na minha vida nunca, nunca! Na minha campanha jamais toquei neste assunto; realmente o Presidente apresentou isso, mas eu sou contra.  E outro fator, gente, e que não é brincadeira. Lá atrás, eu fui deputado e tinha a famosa bancada da bala, que culminou com o estatuto do desarmamento, e lá já explicava tudo, como a pessoa poderia adquirir a arma. A bancada era liderada pelo Alberto Fraga, na época era deputado e coronel da Polícia Militar. Lula fez uma campanha  pelo Brasil para desarmar o povo, inclusive pagando para as pessoas entregaram a arma. Quem tivesse uma arma comprada ilegalmente, recebida de família, uma pessoa já de idade que tivesse uma arma na gaveta, pediram para devolver e até pagaram por isso. Agora vem uma nova onda, cíclica, e vamos armar o povo. Então,  como é que fico? Já vivi três momentos diferentes  Então eu preferi ficar com a  minha consciência. Aqui no governo do Estado até criei a Secretaria de Promoção da Paz.  Justamente essa é a consciência que tenho.
Como Vai Rondônia? – O sr. é um homem pacífico?
Confúcio Moura –   Pacífico. Meu princípio é esse. Sei que tem muita gente que quer bala, quer arma, com mil e uma alegações.
Como vai Rondônia? – É disso que o Brasil precisa senador?
NÓS PRECISAMOS CRESCER. VERGONHOSAMENTE ESTAMOS PERDENDO MAIS UMA DÉCADA.
Confúcio Moura –  Não, de maneira nenhuma. O Brasil está precisando é de proposta de crescimento econômico. Nós precisamos crescer. Vergonhosamente estamos perdendo mais uma década para realizar o crescimento brasileiro. De 2015 para cá é um desastre. E não temos perspectivas a curto prazo de dar uma esperança, uma confiança grandiosa e segura para estes 13 milhões de desempregados absolutos e também para aqueles para  que já pararam de procurar emprego, e os que estão subutilizados, que já chegam em torno de quase 30 milhões de brasileiros vivendo nessa situação. Então, essa onda de bala, arma, é para desviar a atenção do povo. É Isso não é uma meta de e governo, não vai diminuir a violência de maneira nenhuma. Temos de encarar  a realidade das facções  criminosas nos presídios que cresceram em pouco tempo e ninguém mais domina hoje; a gestão das cadeias não é mais feita pelos estados , é feita pelas facções que controlam tudo isso, vergonhosamente. Então, a situação é essa, a defesa teórica de ter arma em casa é algo de uma abstração não cientifica.
Como Vai Rondônia? – O sr. acredita que o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), está indo num bom caminho para a segurança pública?
Confúcio Moura –  Ele tem um bom nome, uma imagem muito positiva, conquistada através do seu trabalho de combate à corrupção, isso é inegável,  mas agora vocês estão vendo nesses vazamentos que ele cometeu falhas processuais, de procedimentos, e quem diz não sou eu, são pessoas da OAB, advogados, juristas, parte da população e Supremo Tribunal Federal, todo mundo observando esse deslize de conduta. Mas é um homem muito acreditado. 53% da população acredita nele, ele dá base, lastro para Bolsonaro governar. É comedido nas palavras, cauteloso, e dá base junto com Paulo Gudes e outros  importantíssimos ministros do governo. Ele é uma pessoa de muito respeito ainda.
Como Vai Rondônia ? –  De que forma o sr. avalia os meses iniciais dos governos Marcos Rocha (Rondônia) e Jair Bolsonaro (Brasil)?
Confúcio Moura – Dizem que o melhor lugar e melhor conduta de um ex-governador é o silêncio absoluto, não fazer comentários sobre o governo que o sucede. Não vou fazer nenhum comentário ou crítica ao Bolsonaro e Marcos Rocha  porque eu me coloco à disposição deles. Logicamente tenho três pontos que não abro mão de jeito nenhum. Todos vou votar contra, é bom que vocês saibam disso. Política de armamento sou contra, fui contra e serei contra sempre; mexerem com os índios para reduzir reservas, atrapalhar a vida dos índios, tudo que tiver nisso vou votar contra e por último as políticas ambientais. Não me venha com essa de facilitar demais o licenciamento,  desmoralizar o Código Florestal brasileiro.  Isso sou contra,  radicalmente contra, e não é de agora não. Todos vocês sabem que sempre fui assim, fui governador, prefeito, sempre preservando nascentes , combatendo furto de madeira, garimpagem onde não deve, sempre falei isso. Não é novidade para vocês.  Nunca prometi o contrário.  Você desrespeitar área indígena ? Ora gente, quem chegou aqui primeiro, quem estava em 1500? Tudo era índio. Eles são donos dessa pátria, e foram espezinhados, dizimados, escravizados, um desrespeito imenso contra eles, e agora vem dar lição, querer urbanizar os índios ? Não, eu tenho apego a essas pessoas e à história, serei sempre contra.
Agora, sou favorável às pautas econômicas, à reforma da previdência, reforma tributária, do sistema bancário, a combater a burocracia que inferniza a vida das pessoas e empresas, que são ativos sociais e precisam ser respeitadas. Não podemos quebrar por bobagem. A empresa é o próprio governo. Quem é que faz movimentar Porto Velho? São Paulo? Minas Gerais? As empresas, o povo trabalhador se virando para pagar impostos, gerar empregos, oportunidade para as pessoas. É isso que o Brasil está precisando. Precisamos dar a volta por cima dessa estagnação. Não é mais nem recessão. É depressão o que já estamos passando.”
Em breve disponibilizaremos outras partes polêmicas da entrevista exclusiva do senador Confúcio Moura para nossos leitores. Tem muito material interessante para repassarmos.
Numa das partes da entrevista ele foi direto ao ponto: “Quem estiver me ouvindo pode ficar tranquilo. Isso serei contra mesmo, pra agradar ou pra desagradar. Entenderam?”
Foi uma conversa franca e aberta com um dos políticos mais experientes de Rondônia. Abaixo resumo em vídeo dos trechos principais do início da entrevista.
Fique de olho, pois amanhã tem mais!
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